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REFLEXÃO PARA O DOMINGO DE RAMOS

29.03.2026
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REFLEXÃO PARA O DOMINGO DE RAMOS

 

O Evangelho da paixão segundo Mateus narra com sobriedade e profundidade os últimos momentos da vida de Jesus. O Cristão é convidado a entrar no mistério mais profundo de sua fé: a paixão e morte de Jesus. Não se trata apenas de recordar um sofrimento, mas de contemplar o sentido de toda a vida de Cristo. Jesus não morreu por acaso. Sua morte é consequência daquilo que Ele viveu e anunciou. Desde o início, Ele revelou um Deus que é amor, um Pai que não exclui ninguém, que acolhe os pecadores, que levanta os caídos e que tem predileção pelos pobres e marginalizados. Jesus passou fazendo o bem, curando, libertando, devolvendo dignidade. E, ao mesmo tempo, denunciou tudo aquilo que gerava injustiça, opressão e sofrimento. E é aqui que nasce o conflito. O projeto do Reino de Deus entrou em choque com os interesses dos poderosos. Aqueles que se beneficiavam da injustiça não quiseram mudar. Não quiseram abrir mão do poder, do orgulho, da autossuficiência. Por isso, rejeitaram Jesus. Julgaram-no, condenaram-no e o pregaram na cruz.

A cruz, não é um acidente. É consequência de uma vida vivida no amor radical. É o ponto mais alto de uma existência totalmente doada. Na cruz, Jesus confirma com o próprio sangue aquilo que pregou com palavras: amar até o fim, servir até o fim, entregar-se totalmente. E mais ainda: Jesus nos ensina que o caminho de Deus não passa pela violência. Mesmo sendo vítima da injustiça, Ele não responde com ódio. Pelo contrário, permanece fiel ao amor. Nele se revelou o que há de mais divino no homem e o que há de mais humano em Deus. Aqui está uma grande lição para nós: no Reino de Deus, os fins nunca justificam os meios. Não se constrói vida com violência, nem justiça com ódio.

O Evangelho também nos mostra que tudo isso faz parte do projeto de Deus. Nada acontece por acaso. Mesmo quando parece derrota, Deus está agindo. Os sinais que acompanham a morte de Jesus revelam que ali não é o fim, mas o começo de algo novo. A cruz já aponta para a ressurreição. E é isso que não podemos esquecer: a paixão só se compreende à luz da Páscoa. A morte não tem a última palavra. O amor tem. Todavia, “Se Deus aceitou viver até o fim a finitude da condição humana, não opondo nenhuma resistência e atraindo sobre si toda injustiça do mundo, isto pode também significar que ninguém jamais está sozinho, mesmo quando é confrontado com o sofrimento mais profundo” (Doré, 2020, p. 649).

Diante disso, a Palavra de hoje nos provoca. Contemplar a cruz não é apenas sentir compaixão por Jesus. É assumir o seu caminho. É olhar para tantos “crucificados” do nosso mundo: os pobres, os injustiçados, os excluídos, os que sofrem violência e abandono. É tomar posição. É lutar contra tudo aquilo que gera morte. Portanto, enquanto existir sofrimento no mundo, enquanto houver rostos marcados pela dor; enquanto, em algum lugar, uma criança morrer e uma mãe, tomada pelo desespero, gritar sem conseguir aceitar a realidade; enquanto houver pessoas oprimidas, famintas, vidas feridas e a prostituta permanecer aprisionada na noite; enquanto um ser humano for humilhado ou um homem for torturado; enquanto a morte continuar à espreita, oculta como um animal nas sombras do tempo, Jesus continuará morrendo —Ele morre por amor.

Que o Senhor nos faça enxergar os melhores cuidados, onde os nossos olhos cansados não possam ver. Amém!

 

Frei Pedro Isaias Luisa VITANGUI, OFM

 

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