Institucional
01.04.2026
REFLEXÃO DO EVANGELHO PARA A QUARTA-FEIRA SANTA
Nesta Quarta-feira Santa, a Igreja nos convida a olhar para uma das cenas mais dolorosas do Evangelho: a traição de Judas Iscariotes. Judas não era um estranho; era um dos Doze. Caminhou com Jesus, ouviu suas palavras, viu seus milagres. Mesmo assim, vai até os chefes dos sacerdotes e faz uma pergunta que ainda hoje nos incomoda: “O que me dareis se eu vos entregar Jesus?”
Mas, antes de pensar em Judas, precisamos olhar para nós mesmos. Quantas vezes fazemos algo parecido? Quantas vezes trocamos Jesus por pequenas coisas: interesses, comodismo, vantagens, escolhas mais fáceis? A traição de Judas não ficou no passado; ela pode acontecer dentro do coração de qualquer um de nós.
O mais forte é perceber que Judas não traiu com violência, mas com um beijo. Um gesto de carinho vira sinal de traição. Isso nos mostra algo muito sério: a pior traição não vem de fora, ela nasce dentro. É quando a gente parece estar perto de Deus, mas por dentro já se afastou. É quando falamos de fé, mas nossas escolhas dizem o contrário.
Enquanto isso, Jesus continua fiel. Mesmo sabendo de tudo, Ele não se afasta, não rejeita, não deixa de amar. Continua à mesa, partilha o pão, permanece presente. No Monte das Oliveiras, Ele sente medo, tristeza, angústia… como qualquer ser humano. Mas, no fim, confia: “Seja feita a tua vontade”. Jesus não negocia. Ele se entrega.
Aqui aparece a diferença: Judas vende; Jesus se doa. Judas pensa em si mesmo; Jesus pensa no amor. Judas busca vantagem; Jesus escolhe a cruz.
E essa escolha continua hoje. Todos os dias, de algum jeito, a gente precisa decidir. Vivemos num mundo onde o dinheiro, o poder e o prazer muitas vezes falam mais alto. Onde os mais fracos são esquecidos. Mas a Palavra de Deus nos chama a acordar. Não dá para ficar em cima do muro. Ou Jesus é o centro da nossa vida, ou Ele vai sendo deixado de lado. Por isso, a pergunta não é só sobre Judas Iscariotes. É sobre nós: o que ocupa o nosso coração? O que vale mais para a gente? O que estamos dispostos a trocar? Porque, no fundo, a vida é feita de escolhas simples, mas decisivas. E são essas escolhas do dia a dia que mostram quem realmente está no centro da nossa vida. Num mundo cheio de interesses e vantagens, somos chamados a viver diferente: a não vender a verdade, a não trair o amor, a não negociar a fé.
Que o Senhor nos ajude a permanecer fiéis, a não nos afastar d’Ele nas pequenas escolhas de cada dia e a escolher sempre o caminho do amor e da paz.
Frei Caio Santos da Silva, OFM
