Institucional

15º Domingo do Tempo Comum, ano C

12.07.2019
Liturgia

15º Domingo do Tempo Comum, ano C

 
Oração: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo que é digno desse nome”.

Primeira leitura: Dt 30,10-14
Esta palavra está bem ao teu alcance, para que a possas cumprir.

O texto da primeira leitura faz parte do discurso de despedida de Moisés, no qual ele exorta o povo a ser fiel à aliança com seu Deus. Nos versículos precedentes (30,6-9) Moisés exortava o povo, dizendo: “O Senhor teu Deus circuncidará teu coração e o de teus descendentes, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e com toda a tua alma para que vivas”. Deus quer a felicidade e a vida de seu povo. Para obtê-la, porém, exigem-se condições: ouvir a voz de Deus, observar os seus mandamentos, converter-se (voltar-se) sempre de novo a Deus. Por isso Deus fez uma aliança com seu povo, um pacto de amor. Não um mero afeto ou sentimento, e sim, um amor de compromisso e fidelidade. A imagem deste amor sintetiza-se nas palavras dos noivos no dia do casamento: “Eu te serei fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossa vida”. O mandamento do amor a Deus, diz Moisés, não é difícil de observar porque Deus vai circuncidar o coração de seu povo, tornando-o capaz de observá-lo (cf. Jr 31,33-34), “está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir”. De fato, podia estar na boca e no coração de todo judeu fiel, como se vê na oração “Escuta Israel” (Xemá Israel: Dt 6,4-9), que os judeus ainda hoje recitam de manhã e de noite. Sabem-na de cor e a guardam em caixinhas de couro, que são presas, na hora da oração, com tiras de couro, uma na testa e outra no braço, perto do coração. Jesus aos treze anos conhecia o texto de cor (cf. Evangelho). Este e outros textos eram ensinados aos filhos desde a infância. O problema não é conhecer de cor o texto-base da fé judaica, mas pô-lo em prática.


Salmo responsorial: Sl 18b
Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração.

Segunda leitura: Cl 1,15-20
Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Paulo utiliza partes de um hino cristão para falar do primado de Cristo na ordem da criação (v. 15-17) e na ordem da nova criação sobrenatural, que nos traz a redenção/salvação (v. 18-20). Na ordem da criação, Ele é o Filho de Deus, a imagem do Deus invisível na natureza humana visível. Em Cristo o Deus invisível torna-se visível. É como Jesus diz a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). Tudo foi criado por causa de Cristo, por meio dele e para ele. Em Cristo, primogênito de todas as criaturas, Deus quis manifestar seu amor para “fora de si”. Por isso cria o universo. Pela encarnação de seu Filho Unigênito em Cristo, Deus quis reconciliar pelo sangue derramado na cruz, trazendo de volta a si toda a criação, corrompida pelo pecado dos homens. O Cristo histórico, Filho único de Deus feito homem, é o mediador da criação. Por causa dele, por meio dele e para ele todos nós existimos. Jesus é também o mediador da salvação, porque por meio dele nos tornamos filhos e filhas de Deus, herdeiros da vida eterna (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho
Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida;
as palavras que dizeis bem que são de eterna vida.

Evangelho: Lc 10,25-37
E quem é o meu próximo?

O evangelho que ouvimos divide-se em duas partes, iniciadas por uma pergunta de um mestre da Lei: “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna” (v. 25-28) – e “quem é o meu próximo” (v. 29-37). A resposta à primeira pergunta Jesus tira-a da boca do mestre da Lei, perguntando-lhe o que está escrito na Lei e como ele a lia. E ele responde com a síntese da Lei, que consta na oração “Escuta Israel” (1ª leitura), conhecida de todo garoto judeu desde a adolescência. Respondendo à pergunta “o que fazer”, Jesus diz: “Faze isto e viverás”. O problema não é saber o que está escrito na Lei, mas como se lê e como se coloca em prática o que está escrito. Mas o mestre da Lei insiste e pergunta “e quem é o meu próximo?” O normal era considerar como “próximo” a quem pertencia à mesma fé (cf. Lv 19,15-18). Mas depois do exílio o conceito de próximo já se alargou. Próximo passa a ser toda pessoa da qual eu me aproximo. Esta é a posição de Jesus, como o vemos na parábola do bom samaritano. O sacerdote e o levita que liam a mesma Lei conhecida também pelos samaritanos, que têm apenas o Pentateuco (a Lei), não viram no homem ferido o próximo porque dele se desviaram. O sacerdote e o levita “desciam” de Jerusalém, tendo cumprido suas funções no Templo, onde Deus está presente, mas não viram a presença de Deus no homem ferido. O samaritano não subia ao Templo, porque os samaritanos adoravam a Deus no monte Garizim (cf. Jo 4,19-20). Estava de viagem a negócios, viu o mesmo homem ferido, “chegou perto dele, viu e sentiu compaixão”, cuidou de seus ferimentos e o colocou numa pensão à sua custa. O mestre da Lei tinha perguntado “e quem é o meu próximo”, mas ao final da parábola, Jesus lhe pergunta: “qual dos três foi o próximo do homem que caiu na mão dos assaltantes?” Também desta vez Jesus tira a resposta da boca do próprio mestre da Lei, que diz: “Aquele que usou de misericórdia para com ele, isto é, aquele que se aproximou do homem ferido”. Mais uma vez Jesus conclui: “Vai e faze a mesma coisa”. Portanto, fica claro que a questão não é ler e conhecer a Palavra de Deus, mas como eu a leio e a ponho em prática.
Com que mais me pareço? Com o sacerdote e o levita que viram o homem ferido mas desviaram dele? Ou procuro ser como o bom samaritano?

Frei Ludovico Garmus, ofm

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