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12º Domingo do Tempo Comum, ano C

19.06.2019
Artigos Liturgia

12º Domingo do Tempo Comum, ano C

 Oração: “Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor”.


1. Primeira leitura: Zc 12,10-11; 13,1
Contemplarão aquele a quem transpassaram.

A primeira leitura começa com uma promessa à Casa real de Davi e aos habitantes de Jerusalém. Trata-se da promessa do nascimento de um filho, descendente da família do rei Davi que, no futuro, ocupará o trono real: Deus derramará um espírito de graça e oração/súplica, de modo que a Casa de Davi e o povo voltarão seu olhar suplicante para Deus. Surge logo a figura misteriosa de alguém ferido de morte, o “traspassado”. O espírito de graça e de súplica será seguido de pranto pelo que foi por eles ferido de morte. Haverá por ele um lamento como se fosse por um filho único. Por fim, promete-se à Casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém que no futuro haverá uma fonte acessível para a purificação. Para Isaías, Deus é a fonte de vida e salvação: “Tirareis água das fontes de salvação” (Is 12,3). Jeremias acusa os habitantes de Jerusalém de abandonarem ao Senhor, “a fonte de água viva” (Jr 17,13). Ezequiel promete que Deus derramará água viva e o povo será purificado (36,25). Esta água viva brotará debaixo do Templo (47,1). Para João, nascer da água e do Espírito Santo é condição para entrar no Reino de Deus (3,5; 4,1). E Jesus diz para a Samaritana: “Quem beber da água que eu lhe der jamais terá sede. A água que eu lhe der será nele uma fonte que jorra para a vida eterna” (4,14). Muitos profetas que, no passado, falaram em nome de Deus foram rejeitados e assassinados. Por fim, Deus quis manifestar seu amor em Jesus de Nazaré, Filho de Deus (Evangelho), que também foi “traspassado” pela lança, quando pendia morto da cruz e de seu lado aberto saía sangue e água (Jo 19,34-37). Paulo identifica a rocha da qual Moisés fez sair água no deserto com o próprio Cristo. A água purificadora nos lembra o batismo e nossa vida em Cristo (2ª leitura).

Salmo responsorial: Sl 62
A minh’alma tem sede de vós, como terra sedenta e sem água.


2. Segunda leitura: Gl 3,26-29
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.

Paulo nos lembra a essência da vida cristã. Pela fé em Jesus Cristo nos tornamos filhos de Deus. Ser batizado em Cristo – diz ele – é revestir-se de Cristo (veste branca do batismo). Isto é, assumir a vida de Cristo como norma de nossa própria vida cristã. O que Paulo escreve também vive: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Por isso, pelo batismo e pela fé em Cristo – diz Paulo – nos tornamos um só em Jesus Cristo e, assim, acabam as divisões, judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher.

Aclamação ao Evangelho: Jo 10,27
Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz elas estão a escutar.
Eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem comigo a caminhar.


3. Evangelho: Lc 9,18-24
Tu és o Cristo de Deus. O Filho do Homem deve sofrer muito.

O evangelho desse domingo é do evangelista Lucas. Antes deste texto, Lucas conta o milagre da divisão dos cinco pães e dois peixes para cinco mil pessoas. Depois disso, Jesus se retira com os discípulos para orar, como costumava fazer, especialmente antes de tomar decisões importantes. Na intimidade com Deus, Jesus certamente se questionava qual era a vontade do Pai a respeito de sua missão. A pregação e os milagres que Jesus fazia levavam também o povo a se perguntar quem era este homem de Nazaré. O próprio Herodes dizia que era João Batista, o profeta que ele tinha mandou executar, que teria ressuscitado dos mortos; outros diziam que era Elias, cuja volta era esperada antes da vinda do Messias; outros ainda, que era um dos profetas que ressuscitou (cf. Lc 9,7-9). Neste clima, também Jesus pergunta aos discípulos: “quem as multidões dizem que eu sou”? A resposta dos discípulos confirma o que se dizia entre o povo a respeito de Jesus. Quando Jesus pergunta “e vós quem dizeis que eu sou”, Pedro responde: “o Cristo de Deus”, isto é, o Messias, o Ungido do Senhor, prometido no passado e que agora Deus estava enviando. Jesus, porém, proíbe aos discípulos de falar disso ao povo, porque havia diferentes expectativas do Messias/Cristo. A partir de então, Jesus começa a esclarecer os discípulos que Ele era o Messias, Servo do Senhor. É muito provável que Pedro, os discípulos e muita gente do povo pensavam num Messias que iria tomar o poder em Jerusalém, expulsar os romanos e reformar o culto no Templo. Ainda pouco antes da ascensão de Jesus ao céu alguns discípulos ainda perguntavam: “Senhor, é agora que vais restabelecer o reino de Israel”? Na Última Ceia, Jesus diz aos discípulos: “Vós sois os que permanecestes comigo nas minhas tentações” (Lc 22,28). Não foram apenas as “tentações” no deserto. O próprio Pedro foi um dos tentadores que tentava desviar Jesus de seu propósito de ser o Messias Servo Sofredor (cf. Mt 16,21-23). Para falar de sua missão, Jesus se apresenta como o “Filho do Homem”, alguém que assume nossa condição humana de limitação e sofrimento, esquecendo sua condição divina (cf. Fl 2,5-11): “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Quem vive assim pode dizer, em seguida, a todos (a nós também): “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-me”. Quem dará sua vida por nós também pode dizer a nós que o seguimos: “Quem perder sua vida por mim, esse a salvará”.
Seguir a Jesus Cristo, renunciar-se a si mesmo e tomar a cruz de cada dia – a nossa e a de nossos irmãos a quem servimos – é perder sua vida para salvar a dos irmãos. João expressa a mesma mensagem com outras palavras: “Na verdade eu vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ficará só; mas se morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12,24).
Que tipo de Cristo nós seguimos? Não podemos seguir o Cristo glorioso que triunfou sobre a morte, sem abraçar o caminho do Cristo Servo Sofredor. No momento da consagração, na missa, ouvem-se as palavras: “Fazei isto em memória de mim”. Não é apenas ordem de celebrar a Eucaristia, mas também o que Jesus fez em sua vida, até à morte na Cruz.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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