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3º Domingo da Páscoa, ano C

03.05.2019
Artigos Liturgia

3º Domingo da Páscoa, ano C

Oração: “Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição”.

1. Primeira leitura: At 5,27b-32.40b-41
Disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo.

No dia de Pentecostes, Pedro exortou todos a se arrependerem de seus pecados, para serem batizados em nome de Jesus e receberem o Espírito Santo. Naquele dia foram batizadas cerca de três mil pessoas (At 2,1-42). Assim começou a comunidade de Jerusalém. Os cristãos reuniam-se no Templo para a oração e o ensino, e eram por todos elogiados (At 2,42-47; 4,32-37). Quando Pedro e João, em nome de Jesus, curaram o paralítico que pedia esmolas junto à Porta Formosa, cresceu muito o número de convertidos e sua fama espalhou-se por toda Jerusalém (At 3). As autoridades religiosas, preocupadas com o crescimento dos que aderiram a Jesus, mandaram prender Pedro e João. Depois de interrogados pelo Sinédrio, ameaçados e proibidos de ensinar em nome de Jesus, foram soltos. Na ocasião, Pedro lhes disse: “Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (4,1-22). E continuaram a ensinar em nome de Jesus, curavam muitos enfermos e a multidão dos convertidos crescia dia-a-dia. Os apóstolos foram novamente presos, mas foram misteriosamente libertados por um anjo. E, no dia seguinte, já estavam ensinando no Templo. A guarda do Templo reconduziu os apóstolos ao Sinédrio, onde o sumo sacerdote os acusou de estarem desobedecendo à proibição, “enchendo” Jerusalém com a doutrina de Jesus e tornando-se, assim, culpados por sua própria morte. Pedro lhes respondeu: “é preciso obedecer a Deus antes que aos homens”. E repete o querigma, isto é, o primeiro anúncio dos cristãos ao povo: Deus ressuscitou Jesus “a quem vós matastes”; Deus o tornou Guia supremo e Salvador; por meio de Jesus, Deus quer dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos pecados; “e disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo”. A conselho de Gamaliel, doutor da lei “muito estimado pelo povo” (5,33-39), os apóstolos foram soltos pelo Sinédrio. Antes, porém, foram açoitados e, mais uma vez, proibidos de ensinar em nome de Jesus.
Fiel ao plano traçado por Jesus (At 1,8), Lucas mostra que o dinamismo do Espírito Santo não podia deixar o Evangelho preso em Jerusalém. De fato, a cidade já estava “cheia da doutrina de Jesus” (5,28). Era, porém, necessário que a Palavra de Deus fosse anunciada também na Judeia e Samaria, e chegasse até os confins da terra.

Salmo responsorial: Sl 29
Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.


1. Segunda leitura: Ap 5,11-14
O cordeiro imolado é digno de receber o poder e a riqueza.

Na visão (5,1-4), João vê alguém sentado num trono, segurando na mão direita um livro escrito por dentro e por fora, mas selado com sete selos. O vidente chora porque ninguém conseguia abrir o livro que continha o plano de Deus para o futuro da história. Em seguida, vê um “Cordeiro, de pé, como que imolado”. Junto do Cordeiro estavam quatro seres vivos (totalidade do mundo) e vinte e quatro anciãos. Quando o Cordeiro se aproxima do livro selado e o abre, os seres vivos e os anciãos prostram-se em adoração e erguem um hino de louvor “porque foste imolado e com teu sangue adquiriste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação”. No texto de hoje prossegue a liturgia celeste. Nesta liturgia, ao coro dos seres vivos e dos anciãos, unem-se dezenas de milhões de anjos e todas as criaturas vivas que estão no céu, na terra e no mar. No cântico de louvor, os atributos de Deus – honra, glória, poder e louvor (cf. Dn 7) – são dados ao Cordeiro imolado, “Aquele que vive para sempre”. O Cordeiro imolado será o pastor de todos os que foram resgatados por seu sangue e lhe são fiéis. Como um pastor, os “guiará às fontes das águas vivas”. Então, Deus enxugará as lágrimas de todos os que sofrem perseguições por causa da fé (cf. 2ª leitura do 4º Domingo da Páscoa).
A mesma fé nos enche de alegria e esperança, nos tempos conturbados em que vivemos.

Aclamação ao Evangelho
Jesus Cristo ressurgiu, por quem tudo foi criado;
ele teve compaixão do gênero humano.


3. Evangelho: Jo 21,1-19
Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o a eles.
E fez a mesma coisa com o peixe.

Em seu evangelho, Lucas situa as manifestações de Cristo ressuscitado, sua ascensão ao céu e a vinda do Espírito Santo, em Jerusalém. Isso, porque, no plano de Lucas, é de Jerusalém que deveria partir o testemunho dos discípulos sobre Jesus, para chegar aos confins da terra (Lc 24,47; At 1,8). Em Marcos 16,7 e Mateus 28,7, as manifestações do Ressuscitado acontecem na Galileia. João reúne as duas tradições: no cap. 20, as manifestações em Jerusalém (2º Domingo), e as da Galileia, no acréscimo do cap. 21.
No evangelho deste domingo, a manifestação de Jesus aos discípulos acontece junto ao lago de Tiberíades. Jesus não aparece aos doze apóstolos, mas aos sete “discípulos”. É provável que o evangelho, bem como a acréscimo final, tenham sido escritos na igreja gentio-cristã da Ásia Menor. Os sete discípulos lembram os sete diáconos, todos de nome grego, escolhidos para cuidarem das viúvas de origem grega, em Jerusalém, esquecidas no serviço aos pobres (At 6,1-6).
O evangelho de hoje apresenta duas cenas. A primeira (20,1-14) descreve a pesca milagrosa e a refeição de Jesus com os discípulos. Nesta cena, em destaque estão Jesus, o discípulo amado e Pedro. Jesus preocupa-se com a pescaria frustrada dos discípulos, aponta para onde deveriam lançar a rede, pede-lhes que tragam alguns peixes e lhes prepara uma refeição. Por fim, distribui aos discípulos o pão e o peixe que já tinha preparado, lembrando a eucaristia celebrada no “Dia do Senhor” (20,19.26). O discípulo amado é o primeiro a reconhecer que o homem à beira do lago era o Senhor (cf. 20,8). Ao saber que era o Senhor, Pedro se lança ao mar ao encontro de Jesus, depois arrasta até a terra a rede cheia de peixes, trazida pelos outros discípulos, e leva alguns peixes para o Mestre. “Nenhum dos discípulos se perguntava quem ele era, pois sabiam que era o Senhor”. É a mesma fé da comunidade cristã, ainda hoje, reunida com Cristo, no Dia do Senhor.
Na segunda cena temos o diálogo de Cristo com Pedro. Jesus pergunta três vezes se Pedro lhe era fiel e o amava, porque na paixão havia negado três vezes (Lc 22,54-62). O Apóstolo reafirma seu amor fiel, e Jesus lhe confere a missão de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas. Em João, Jesus confere aos discípulos a missão de evangelizar: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (Jo 20,21). No entanto, aqui, é Pedro que recebe a missão de pastorear o rebanho, isto é, de conduzir a Igreja de Cristo. Jesus confia a Pedro a missão de conduzir a ação evangelizadora da Igreja. Mas é o sopro do Espírito Santo que dinamiza toda a ação dos discípulos do Senhor.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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