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Domingo de Ramos, ano C

10.04.2019
Artigos Liturgia

Domingo de Ramos, ano C

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória”.


1. Primeira leitura: Is 50,4-7
Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas.
Sei que não serei humilhado.

O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. Ele está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto para os exilados abatidos. O Servo apresenta-se como um discípulo, atento, todas as manhãs, para receber a mensagem divina a ser transmitida. Mas, para cumprir esta missão deve enfrentar o desprezo e o sofrimento. Contudo, cheio de confiança no auxílio divino não se deixa abater.
A exemplo do Servo Sofredor, embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim.

Salmo responsorial: Sl 21 (22)
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


2. Segunda leitura: Fl 2,6-11
Humilhou-se a si mesmo; por isso, Deus o exaltou acima de tudo.

Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder – sugerido pelo diabo (Lc 4,1-13) e disputado pelos discípulos (Lc 9,46-48; 22,24-30) –, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), colocou-se a serviço de todos: “Eu estou no meio de vós como quem serve” (Lc 22,27). Identificou-se não com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até à morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos.
Preocupado com o espírito de competição dentro da comunidade, Paulo recomenda: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus”. O caminho de Cristo, humilde e solidário com todos, tornou-se o caminho do cristão.

Aclamação ao Evangelho
Glória e louvor a vós, ó Cristo!
Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz.
Pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome.


3. Evangelho: Lc 22,14–23,56
Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer.

A narrativa da Paixão e Morte de Jesus tem uma sequência muito parecida nos quatro Evangelhos. Contudo, cada um dos evangelistas tem características e interesses próprios. Lucas escreve depois da destruição de Jerusalém, nos anos 70. Não escreve como testemunha ocular (cf. Lc 1,1-4), mas como discípulo de Jesus, para discípulos de Jesus. Por isso, omite as torturas chocantes sofridas por Jesus e insiste em sua inocência. Mostra que o discípulo deve seguir a Jesus no caminho da cruz. Sua narrativa da Paixão tem um apelo pessoal e pastoral.
A leitura do Evangelho mais breve inicia-se com o processo diante do governador romano, Pilatos. No tribunal judaico (sinédrio), Jesus não afirma ser o Cristo. Apresenta-se como o Filho do Homem, que “estará sentado à direita do Deus Poderoso” e é condenado, porque afirma ser o Filho de Deus. No tribunal de Pilatos, os sumos sacerdotes e mestres da Lei o acusam de ser um agitador no meio do povo, que proíbe pagar impostos a César e afirma “ser ele mesmo o Cristo”, o Rei dos judeus. Pilatos interroga Jesus sobre as acusações e afirma quatro vezes sua inocência (23,4.14.15.22). Só Lucas diz que Pilatos enviou Jesus a Herodes Antipas, ao saber que o acusado era da Galileia. Mas, interrogado por Herodes, Jesus nada respondeu. Então Herodes, com sua corte, zomba de Jesus e o manda de volta a Pilatos. Este, por sua vez, apesar de inocentar Jesus, comunica ao povo que iria castigá-lo e, depois, soltá-lo. A multidão, porém, pede que Jesus seja crucificado e que Pilatos solte Barrabás; este, sim, um subversivo muito popular. Pilatos atende ao pedido da multidão e entrega Jesus “à vontade deles”. Lucas apresenta Simão de Cirene como um discípulo que carrega a cruz “atrás de Jesus”; também a multidão e as mulheres que “seguem” a Jesus, arrependidos. A palavra de Jesus dirigida às mulheres em pranto – “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos”! – remete aos sofrimentos do povo quando Jerusalém foi destruída. Jesus é crucificado entre dois ladrões, lembrando as palavras de Jesus ao final da ceia: “Foi contado entre os criminosos” (22,37). Jesus dá o exemplo concreto do perdão, que Lucas inclui entre os pedidos do Pai-Nosso (11,1-4). O povo permanece em contemplação, olhando e escutando o que acontecia, enquanto os chefes zombam de Jesus como o Cristo, o Ungido de Deus para salvar o povo, mas incapaz de salvar-se a si mesmo. O letreiro colocado acima da cabeça de Jesus – “Este é o Rei dos Judeus” – resume o motivo da condenação no tribunal de Pilatos e a acusação dos chefes contra Jesus: Messias, Filho de Deus. O malfeitor que insulta Jesus repete de certa forma as zombarias dos chefes. O bom ladrão dirige-se a um Jesus, humano e misericordioso, sem usar o título Cristo: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Jesus é o Salvador. No momento da morte de Jesus a natureza toda se veste de luto. Rasga-se a cortina do Santuário, “abre-se o céu” para o Filho de Deus, como no batismo (cf. Lc 3,21-22), e Jesus entrega-se nas mãos do Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Um oficial romano (pagão) exclama: “De fato! Este homem era um justo”! E as multidões que assistiram ao acontecido voltam para suas casas, batendo no peito, arrependidos, enquanto as mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galileia, permanecem em contemplação, à distância. Um homem justo, membro do Sinédrio, chamado José de Arimateia, cede seu túmulo novo, para dar sepultura ao corpo de Jesus. As mulheres assistem a tudo, voltam a suas casas e providenciam perfumes e bálsamos para os últimos cuidados ao amado Mestre; depois, descansam durante o sábado.
Que a leitura da paixão de Jesus Cristo segundo Lucas nos leve à contemplação dos sofrimentos e da morte de Jesus, o Filho de Deus, que deu sua vida por todos nós. Tenhamos sempre presente que Lucas não conheceu a Jesus de Nazaré. Mas escreveu seu Evangelho como discípulo de Jesus, para confirmar a fé e o amor de outros discípulos de seu tempo. Escreveu-o para nós.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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