Institucional

1º Domingo do Advento, ano C

27.11.2018
Liturgia

1º Domingo do Advento, ano C

Oração: “Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”.


1. Primeira leitura: Jr 33,14-16
Farei brotar de Davi a semente da justiça.

O livro do profeta Jeremias, depois de denunciar os pecados dos governantes, dos sacerdotes e da classe dominante, tem uma parte de oráculos de esperança, chamada “Livro da Consolação” (Jr 30–33). A primeira secção (Jr 30–31) contém promessas de restauração para o Israel do Norte. A segunda secção (Jr 32–33) traz textos de discípulos do profeta, que atualizaram as promessas de Jeremias, depois do exílio, incluindo nelas também Judá. A leitura de hoje faz parte desta atualização, que renova e especifica estas promessas, ou seja: Deus “fará germinar para Davi a semente (ou germe) da justiça”, promessa retomada de Jr 23,5-6 sobre o futuro rei e que atualiza as palavras do profeta Isaías: “Um broto sairá do tronco de Jessé”, pai de Davi. Esse descendente de Jessé será um rei sábio e justo, cheio do espírito do Senhor (cf. Is 11,1-5).
As palavras de nosso texto foram muito bem escolhidas para o início do Advento. Sete verbos no futuro caracterizam o texto. As promessas, cheias de esperança, reanimam nossa fé e confiança no Salvador que vem. “Virão dias”, refere-se à primeira vinda do Senhor no Natal (Advento), que está presente no meio de nós, mas cuja segunda vinda aguardamos. Deus “fará cumprir a promessa” a Israel e Judá, “fará brotar de Davi a semente da justiça”, um rei que “fará valer a lei e a justiça na terra”. Em consequência, o povo de Judá será salvo, Jerusalém terá segurança e será chamada “O Senhor é a nossa Justiça”.
O mesmo já prometia Isaías ao denunciar as injustiças cometidas pelos juízes em Jerusalém: depois disso serás chamada cidade da justiça, cidade fiel (Is 1,26).
O que deveríamos mudar para que o Senhor se torne a nossa Justiça?

Salmo responsorial: Sl 24
Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

2. Segunda leitura: 1Ts 3,17–4,2
Que o Senhor confirme os vossos corações na vinda de Cristo.

Este é um trecho do mais antigo texto do Novo Testamento. É Paulo que, pelo ano 50, escreve à comunidade de Tessalônica por ele fundada. Como outros cristãos dos primeiros decênios, Paulo vivia na expectativa iminente da segunda vinda do Senhor. Nessa carta, o Apóstolo declara como palavra do Senhor: Quando “o próprio Senhor descer do céu, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4,16-17). Paulo não teme a segunda vinda do Senhor. Espera-a com amor, porque ama a Cristo e sente-se por ele amado. Quem espera com amor a vinda do Senhor, procura estar sempre preparado, vivendo “a santidade sem defeito aos olhos de Deus”. Paulo lembra aos cristãos como devem estar preparados para a vinda do Senhor: “Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus”. São instruções dadas “em nome do Senhor”. O Apóstolo reconhece, com alegria, que eles já estão vivendo isso, mas podem progredir sempre mais. Está bem preparado quem vive a fé e a esperança, no amor.

Aclamação ao Evangelho: Sl 84,8
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
e a vossa salvação nos concedei!


3. Evangelho: Lc 21,25-28.34-36
A vossa libertação está próxima.

No sermão apocalíptico de Marcos, evangelho escrito antes do ano 70, os discípulos perguntavam sobre o fim de Jerusalém e sobre o fim do mundo (Mc 13,4). Em Lucas, evangelho escrito depois do ano 70, a pergunta se concentra apenas na destruição de Jerusalém: “Quando isso acontecerá e qual o sinal de que irá começar a acontecer”? (Lc 21,7). O pequeno trecho do sermão de Lucas, proclamado neste domingo, não trata tanto do fim do mundo, mas da segunda vinda do Filho do Homem. Os sinais no céu, na terra e no mar, abalando todas as forças do céu, são um prenúncio da vinda do Filho do Homem. Ante aos sinais pavorosos, os que não crêem em Cristo se encherão de angústia e terror. Os que têm fé em Cristo vão esperar, confiantes, a vinda do Senhor: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. O cristão deve esperar o Senhor como alguém muito querido e desejado. Quem espera, deve estar preparado, deve vigiar e orar. A expectativa da vinda do Senhor não deve paralisar o cristão. De fato, enquanto Jesus subia ao céu, os discípulos ficaram parados, com os olhos fitos no céu. Então dois anjos os acordam e perguntam: “... por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que foi elevado ao céu de vosso meio, voltará assim como o vistes subir para o céu” (At 1,11). Em vez de ficar olhando para o céu, na expectativa da volta do Senhor, eles deviam voltar a Jerusalém, aguardar o dom do Espírito Santo e partir em missão.
O medo ante a segunda vinda do Senhor não nos deve paralisar; antes, deve animar-nos no anúncio da presença do Jesus Salvador entre nós (Mt 28,20). Pois, antes que venha o fim do mundo, “é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13,10).
Frei Ludovico Garmus, ofm

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