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Francisco de Assis e o Sultão - 2

26.06.2019
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Francisco de Assis e o Sultão - 2

 NÃO EXISTE INIMIGOS A COMBATER SE HÁ IRMÃOS E IRMÃS PARA CONVIVER

Os muçulmanos invadiram boa parte do Oriente no século VII. Começaram por Jerusalém no ano de 638. No século VIII estavam na Espanha e Sicília, e depredaram a São Pedro, em Roma, em 846. Tudo isto acendeu uma mentalidade guerreira de reconquista. Em 15 de Julho de 1099, cai nas mãos dos cristãos após três anos de combates, massacres, perseguições até a morte de judeus e muçulmanos.

Francisco de Assis nasce seis anos antes da terceira cruzada que se realizou em 1188. Comandada por Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, tomaram Acre, o litoral palestino e, liberaram o acesso dos peregrinos a Jerusalém. Já adolescente, Francisco sentiu na sua pele os ecos deste tempo de luta, de ocupações e de morte. Quando estava preso em Perugia aconteceu a quarta cruzada. O Santo da Paz nasce, cresce e desenvolve seu projeto de vida em tempos de violência.

A cruzada de Francisco de Assis é outra, para defender a honra de Deus ele não precisa de guerra santa, mas de convivência fraterna. Partir para uma peregrinação é mais importante do que partir para combates mortais. Cada pedaço de mundo, uma floresta, uma gruta, um rio e um Eremo era uma Jerusalém a ser conquistada como dimensão celebrativa: o caminho para tirar as pedras do Sepulcro e revelar a ressurreição passa por construir Belém em Greccio, o Cenáculo em cada Fraternidade, o Calvário no Alverne e a Ressurreição anunciada na Paz, a saudação mais vida do Cristo Vivo. O cristianismo não precisa conquistar territórios, mas sim conquistar corações. Não existe inimigos a combater se há irmãos e irmãs para conviver. A vingança tem que ser trocada pela solidariedade.

A cruzada de Francisco é ser um peregrino desarmado que não busca a glória terrena, mas sim o Paraíso reconstruído aqui para morar na Eternidade. Ele não precisa da linguagem rude da guerra e das estratégias militares que transforma o outro num animal cruel, portador de todos os males e que chega a influenciar um pregador do porte de Bernardo de Claraval que diz: “Matando um malfeitor não se comporta como um homicida, mas, por assim dizer, um “malecida” (o que mata o mal); sendo um vingador de Cristo no confronto com aqueles fazem o mal contra os defensores do cristianismo” (Franco Cardini sobre Bernardo de Chiaravalle, Il libro della nuova cavalleria, Biblioteca di via Senato,Milano,2004).

Francisco de Assis não faz desta mentalidade objeto de sua pregação. Para ele, não se massacra o outro para recuperá-lo; não há necessidade de ser confessional para ser sentimental, o amor e os sentimentos estão acima das etnias e dos conceitos racistas religiosos. Ele não é um valoroso cavaleiro Templário perseguindo os bandidos muçulmanos. Ele é o Arauto do Grande Rei, o Cavaleiro do Amor, da Paz e do Bem.

Imagem: Cena do filme "O Santo e o Sultão".

FREI VITORIO MAZZUCO

CONTINUA

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