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5º Domingo da Quaresma, ano C

05.04.2019
Liturgia Artigos

5º Domingo da Quaresma, ano C

Oração: “Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”.


1. Primeira leitura: Is 43,16-21
Eis que eu farei coisas novas, e as darei ao meu povo.

A Palavra de Deus que ouvimos na 1ª leitura coloca-se no final do exílio. Inaugura-se uma nova fase da história, com Ciro, rei dos persas, que põe fim ao domínio babilônico. As tropas persas já avançavam sobre Babilônia (Is 43,14-15). Neste contexto, o profeta infunde confiança em Deus e novo ânimo aos exilados. O povo, cansado de esperar pela libertação, dizia: “O Senhor me abandonou, meu Deus me esqueceu” (Is 49,14). Nosso texto convida o povo a relembrar a ação de Deus na história passada (êxodo do Egito). Não com saudosismo (cf. Jz 6,12-13), mas para perceberem a presença contínua de Deus na história do povo. Pede que prestem atenção à ação de Deus no momento presente: “Eis que estão acontecendo coisas novas... já estão surgindo, não as reconheceis”? De fato, Ciro já dominava boa parte do Império Neobabilônico e estava prestes a conquistar a capital Babilônia. Para o profeta são as coisas novas acontecendo, prenúncio da libertação que está próxima. Olhando para o futuro, o profeta anuncia um novo êxodo, usando imagens da natureza. Se no passado Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão para seu povo passar, agora abrirá “uma estrada no deserto” e fará “correr rios na terra seca”. A natureza toda participará deste mundo novo que Deus está preparando. Os animais selvagens do deserto vão glorificar o Senhor por causa da água que vai brotar no deserto e pelos rios que ali vão correr. Tudo isso Deus fará para “este povo que criou para si e que cantará seus louvores”.
Nosso país e o mundo estão passando por graves crises. A Palavra de Deus nos convida a perceber, com um olhar de fé, a presença e a ação do Deus vivo e misericordioso. Como podemos colaborar na construção do mundo novo, querido por Deus? Que sinais nos enchem de esperança?

Salmo responsorial: Sl 125
Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria.


2. Segunda leitura: Fl 3,8-14
Por causa de Cristo eu perdi tudo,
tornando-me semelhante a ele na sua morte.

Paulo apresenta-se como modelo de vida cristã para a comunidade de Filipos. Como fariseu, considerava que a salvação/justificação era uma recompensa pelas obras praticadas segundo a Lei de Moisés. Agora, convertido à fé em Cristo Jesus, é uma criatura nova. Considera desprezíveis as coisas passadas (as obras da Lei). Considera seu maior ganho o conhecimento (experiência do amor misericordioso) de Jesus Cristo e a união com Ele. Conhecer Jesus Cristo, diz Paulo, é “experimentar a força de sua ressurreição, participar de seus sofrimentos e alcançar a ressurreição dos mortos”. Esta busca da união com Cristo Ressuscitado é uma corrida, cuja meta não foi ainda atingida. Considera, porém, a vitória segura, porque já foi alcançado por Cristo. Paulo, portanto, não corre sozinho. Corre junto com Cristo Ressuscitado, com quem procura estar sempre unido. Paulo, modelo para todos nós, tem a garantia da fé na força do Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou dos mortos.

Aclamação ao Evangelho:
Rs. – Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus
Agora, eis o que diz o Senhor:
De coração convertei-vos a mim,
pois sou bom, compassivo e clemente.


3. Evangelho: Jo 8,1-11
Quem dentre vós não tiver pecado,
seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.

No evangelho de hoje temos um confronto entre a justiça da lei de Moisés e a misericórdia divina revelada por Jesus. Depois de ter passado a noite no monte das Oliveiras, onde costumava rezar e dormir, bem de madrugada Jesus se dirige ao Templo. Imediatamente é cercado pelo povo, desejoso de ouvir seus ensinamentos. Enquanto Jesus ensinava o povo, os fariseus e os mestres da Lei trouxeram uma mulher acusada de adultério. Colocaram a mulher no meio do povo, diante de Jesus, e disseram: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu”? Jesus nada respondeu. Sentado como estava, inclinou-se e começou a escrever com o dedo no chão. Como continuavam perguntando, Jesus levantou-se e disse: “Quem dentre de vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo. Os fariseus apenas liam a letra da lei escrita, não a viam como pessoa humana. Deveriam examinar também o próprio coração. Induzidos a consultar a própria consciência, “foram saindo, um a um, a começar pelos mais velhos”. Não sabemos o que Jesus escreveu porque o vento logo apagou. Jesus não estava lendo a Lei escrita. Estava diante de uma mulher que se sentia humilhada, arrasada, miserável, exposta à execração pública. Então, Jesus se levanta e diz: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Os acusadores sumiram, e com eles, a justiça da Lei. “Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo”. É como diz S. Agostinho: “A mísera com a Misericórdia”. A Misericórdia divina que vem ao encontro da miséria humana (cf. 4º Domingo da Quaresma). E Jesus diz: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Jesus é a Misericórdia divina encarnada (cf. Fl 2,5-11). Devolve à mulher a dignidade de filha de Deus, faz dela uma nova criatura (1ª leitura). Jesus nos dá tempo para a conversão (cf. evangelho do 3º domingo da Quaresma: Lc 13,6-9). Ensina-nos a pedir perdão: “a Deus Todo-Poderoso e a vós irmãos e irmãs...” Sua maior alegria consiste em perdoar (Lc 15: evangelho do 4º Domingo). “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).

Frei Ludovico Garmus, ofm

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