Institucional

Epifania do Senhor

04.01.2019
Liturgia

Epifania do Senhor

Oração: “Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu”.


1. Primeira leitura: Is 60,1-6
Apareceu sobre ti a glória do Senhor.

Em 597 aC, Nabucodonosor conquistou Jerusalém e levou a elite governante de Judá, inclusive o sacerdote Ezequiel. Na época pós-exílica, o profeta anônimo, autor deste texto, anima os exilados a retornarem a Jerusalém. O Templo estava sendo reconstruído e a cidade aumentava sua população; as luzes das lamparinas, sinal de vida nas casas novamente habitadas, haveriam de se multiplicar na escuridão das ruínas da cidade em reconstrução. Jerusalém se tornaria brilhante, como um facho luminoso que atrairia os povos pagãos. Se no passado Jerusalém fora saqueada pelos dominadores, agora, camelos e dromedários haveriam de trazer riquezas de todas as partes. Com seu incenso proclamariam a glória do Senhor. No exílio, os judeus aprenderam a conviver com outros exilados de nações diferentes. Agora, o profeta anuncia que essas nações também fariam parte do novo Israel. Pois, o Deus de Israel é o Deus de todos os povos.

Salmo responsorial: Sl 71
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!


2. Segunda leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Agora foi-nos revelado que os pagãos são co-herdeiros das promessas.

O Evangelho que Paulo pregava era dirigido a judeus e pagãos, escravos e livres, sem distinção. Ele entende que as promessas de um Salvador não se restringiam apenas aos judeus, mas incluíam todos os povos. A esta nova forma de compreender e anunciar a salvação em Jesus Cristo, Paulo considera como uma revelação que lhe foi dada pelo Espírito, um mistério escondido no passado e agora revelado: não só os judeus são destinatários da salvação trazida por Jesus Cristo, mas também todos os pagãos. Paulo abre seu coração à comunidade cristã de Éfeso, formada, sobretudo, por pagãos convertidos: “Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito”!
Hoje alegramo-nos com a vinda dos magos para adorar o Menino Jesus, salvador de toda a humanidade (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho
Vimos sua estrela no Oriente
e viemos adorar o Senhor.


3. Evangelho: Mt 2,1-12
Viemos do Oriente adorar o Rei.

Magos vêm do oriente, orientados pela profecia de Balaão em Nm 24. Eles procuram o rei recém-nascido, segundo lhes parecia, no palácio de Herodes. Herodes fica alarmado com a notícia, vista como ameaça a seu trono, e, com ele, toda Jerusalém, pois ele era um homem violento. Herodes consulta os entendidos em Bíblia, para poder responder aos magos: onde deveria nascer o tal futuro rei. Os sumos sacerdotes e escribas respondem, citando a profecia de Miqueias, que o futuro rei, esperado como o salvador do povo, deveria nascer em Belém de Judá. Os doutores não acreditam, mas sabem ler as Escrituras e interpretá-las. Herodes finge interesse, mas tem más intenções. Só os magos, pagãos, acreditaram nas profecias de Balaão, um profeta pagão, famoso na Transjordânia e citado na Bíblia: “Vejo-a, mas não é agora, contemplo-a, mas não está perto: Uma estrela avança de Jacó, um cetro se levanta de Israel (...), um dominador sairá de Jacó” (Nm 24,17-19).
Os magos, iluminados pelas Escrituras Sagradas, são novamente guiados pela estrela até Belém. Chegando à casa onde moravam os pais com o menino, os magos se prostram em adoração e oferecem-lhe seus presentes: ouro, porque ele é rei; incenso, porque é Deus; e mirra, porque é homem e será embalsamado com mirra e aloés...
Há dois modos de nos achegarmos a Deus: pelos sinais da natureza e pelos Livros Sagrados. Os magos leram os sinais nas estrelas e chegaram até Jerusalém. Julgavam que um rei deveria nascer num palácio. Mas, iluminados pela Palavra de Deus, encontraram uma casa simples, onde o menino-rei morava com seus pais, Maria e José. Santo Agostinho fala de dois livros escritos por Deus: um livro são as obras da Criação, outro são as Escrituras Sagradas. Estes são os livros que nos levam ao encontro com o Salvador da humanidade.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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